Como acolher aqueles que passam por transtornos depressivos
- 11 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Concluí, ainda no ano passado, o curso Saúde Mental no Ambiente de Trabalho da Fundação Dom Cabral. O conteúdo passa por entendimento do cérebro e da dinâmica emocional, doenças do cérebro e da mente, saúde mental e o ambiente de trabalho e comunicação que gera bem estar.
Mas quero compartilhar hoje com vocês dois materiais abertos que fazem parte do curso e que me fizeram pensar bastante sobre a forma como eu venho acolhendo pessoas com transtornos depressivos.
Segundo as indicações dos materiais percebo que já errei muito, mas não vou carregar essa culpa, afinal fiz e faço absolutamente tudo o que estava/ está ao meu alcance em todos os momentos para contribuir com o bem estar de todos e acredito que esse é o comportamento normal das pessoas boas. Além disso, a culpa não recuperaria os efeitos dos meus erros e poderia sim, ser gatilho para transtornos mentais em mim mesma! Para me redimir, entretanto, me comprometo a compartilhar com o maior número possível de pessoas os conhecimentos que adquiri.
O primeiro conteúdo é um vídeo curto, lúdico, da RSA, na voz de Brené Brown: O Poder da Empatia (disponível no YouTube), onde ensina como ser empático. Aqui já percebi um primeiro erro meu: dizer frases do tipo: "mas olhe o lado bom...", "pelo menos você...". Segundo ela, esse tipo de ação leva à desconexão. Empatia aqui seria sentir com a pessoa o que ela está dizendo. Realmente se colocar naquele espaço vulnerável do sentimento "negativo", desconfortável, e simplesmente dizer: "estou aqui com você!". Mesmo que você não possa fazer nada efetivamente, a validação do sentimento já é um apoio a quem está sofrendo com a depressão.
O segundo material que quero compartilhar é o guia Depressão - como acolher no ambiente de trabalho do movimento Falar inspira vida (disponível para download no site do movimento). O movimento em si já ganhou toda a minha admiração, mas o guia é realmente uma leitura a que todos deveríamos ter acesso. Afinal, possivelmente mais de 6% da população brasileira sofre de transtornos depressivos (em 2015 esse índice era de 5,8% segundo a OMS e uma pesquisa mais recente do IBGE indica que ele está em ascensão). Nesse cenário, é bem possível que todos nós convivamos com pessoas que precisam do nosso apoio ou, que pelo menos, não pioremos suas condições. Sei, por experiência própria, que a maioria não vai conseguir ajudar (eu não consegui ajudar um parente próximo que sofreu com depressão aguda por mais de 20 anos. Hoje entendo que esteja pelo menos controlada, com altos e baixos, mas muito mais estável), para isso existem profissionais especializados, mas precisamos saber como acolher e não atrapalhar o que já é tão sofrido e tão difícil para aqueles que possuem a patologia.
Se você foi uma das minhas vítimas com frases do tipo: "Você está distraído, preste atenção", "Pense no lado positivo", ou "Pelo menos dê um sorriso", me desculpe! Quero sim, que você sorria, que esteja atento à vida, observando as coisas positivas ao seu redor, mas no seu tempo, dentro das suas possibilidades. Não tenha vergonha em dizer o que você passa, procure apoio de profissionais especializados sempre que puder. São eles que realmente poderão te ajudar, as doenças mentais são MUITO complexas, muitas vezes não respondem "de primeira" ao tratamento, e infelizmente são mais comuns do que pensamos, mas é sim possível "sair dessa" e existem muitos cientistas trabalhando na evolução contínua tanto da prevenção quanto dos tratamentos. Da minha parte, prometo usar esses conhecimentos para saber acolher e não mais atrapalhar.


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