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Por que falar em “treino” para a felicidade

  • Foto do escritor: Célula 21 Comunicação e Marketing
    Célula 21 Comunicação e Marketing
  • 11 de set. de 2024
  • 2 min de leitura

Com a evolução das tecnologias de imagem hoje é possível rastrear a atividade cerebral dos seres humanos e isso permitiu que a neurociência evoluísse muito nas últimas décadas. Algumas descobertas que eu considero muito valiosas para o estudo da felicidade são a questão do instinto de sobrevivência e a neuroplasticidade.


A primeira é uma constatação de que, em geral, somos mesmo “programados” para dar maior atenção a situações de risco ou a elementos que podem comprometer o nosso equilíbrio e a nossa sobrevivência. Isso ocorre porque somos bombardeados por estímulos o tempo todo e o cérebro precisa “filtrar” o que será processado. Instintivamente, são “filtrados” os estímulos que apresentam qualquer tipo de ameaça. Ao caminhar pela rua é mais provável que observemos um buraco na calçada do que uma flor que brotou, afinal de contas o buraco pode nos causar um acidente e a flor dificilmente será um risco às nossas vidas. Ao final de um dia de trabalho é mais provável que lembremos das coisas que não deram certo do que das que deram certo e a lógica é a mesma: se deu certo está tudo bem, não é uma ameaça, se não deu certo, é preciso dar mais atenção para nos protegermos do risco de repetirmos o erro, por exemplo.


A questão, é que o instinto de sobrevivência, apesar de indiscutivelmente importante, muitas vezes nos distancia da felicidade. Um ponto unânime entre as teorias da psicologia positiva é a questão da potencialização das emoções positivas como pilar da felicidade e do bem estar. Emoções essas que, muitas vezes, inconscientemente não nos permitimos viver dando atenção apenas ao que nos ameaça.


Mas, calma, não há com que se preocupar! Neste contexto é que entra o fenômeno da neuroplasticidade, a segunda constatação que considero muito importante para os estudos sobre a felicidade. Os cientistas conseguiram comprovar que, com treino e intencionalidade é possível “reprogramar” o cérebro criando e reforçando conexões que favoreçam, por exemplo, a felicidade. Ou seja, com intenção e treino (repetição), é possível prestar atenção no buraco sem deixar de apreciar as flores, lembrar das questões que poderiam ter saído melhores ao longo do dia sem deixar de valorizar e comemorar aquelas que deram certo. A proposta não é deixar de lado o instinto de sobrevivência, de forma alguma, mas ampliar as nossas percepções sobre o mundo ao nosso redor e, assim, dar importância também ao que vivenciamos de positivo.


A receita parece simples, mas cabe um alerta: o treino é pesado! O caminho de menor esforço será sempre o do instinto de sobrevivência e o corpo tende a buscar esse caminho pois assim despende menos energia. É como a atividade física, se você pratica, vai perceber seus diversos benefícios e sentir falta se parar, mas uma vez parado(a) terá de vencer novamente a inércia para recuperar a destreza e os benefícios.

 
 
 

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